
Quando era adolescente aprendi que o transporte mais seguro que tinhamos era o elevador, o avião ocuparia o segundo lugar.
De lá para cá, passaram-se alguns anos e a imagem de segurança que o avião oferecia ficou para trás.
Frequentes acidentes aéreos marcaram está imagem que com certeza deixou muitas mortes e sequelas, algumas irreversíveis.
Infelizmente a aviação nacional tem sua participação na história de grandes acidentes aéreos.
O caso mais recente é o acidente da Tam, com aproximadamente 199 pessoas, sendo 180 passageiros e sete tripulantes da aéronave, o restante seria por uma irônia do destino de estar na hora e lugar errado.
Aconteceu no dia 17 de julho 2007, o dia era realmente de brigadeiro. Porem a tarde veio a chuva que logo cessou , era típica de verão.
Falar em chuva de verão nesta época do ano causa estranheza, mas com o aquecimento global e a grande mudança climática, fica facíl entender.
O taxista Flávio e sua passageira sairam ilesos do acidente e agradeceram a Deus por mais uma chance de vida.
A aéronave após se desprender da pista, passa por cima de uma avenida muito movimentada e de acesso ao aeroporto. Flávio passava no exato momento da queda e uma das rodas do aparelho toca no teto de seu taxi, felizmente só danos materiais.
Já um outro colega não teve a mesma sorte, pois estava abastecendo em um posto de combustivel ao lado e foi atingido em cheio, por destroços da aeronave, tendo morte instantânea.
A maior preocupação dos bombeiros era resfriar o local onde o aparelho colidiu que por outra irônia do destino era o prédio da própria companhia .
Este desastre áereo foi marcado por irônias. E eu dentro da minha humilde visão tento passar a vocês a partir de agora.
Fabio é um passageiro asciduo em nosso ponto, não só ele mas toda a família, sua mãe doutora Ana, o pai doutor Saulo e a irmã Sarah. Todos bem conhecidos pelos colegas, haja vista que se ultiliza de nossos serviços a mais de vinte anos. Fabio e Sarah eram crianças e nós tinhamos a missão de levar e buscar em escolas, cursos, consultas médicas etc, faziamos isso com frequência, pois os pais doutores, sempre ocupados pelos compromissos, depositavam essa confiança em nós e nas babás que os acompanhavam.
Hoje adultos seguem o curso natural da vida e com exemplo dos pais buscam sucesso profissional. O rapaz bem sucedido em sua profissão, cuida das finanças da companhia e se destaca pelo brilhantismo de suas idéias.
No dia do acidente, Fabio serviu-se de nossos táxis e durante o percursso comentou com o motorista sobre o dia bonito, o timão e também da reunião que teria. A reunião aconteceria exatamente onde a aéronave se chocou e Fabio por mais uma irônia estaria lá.
No final da tarde com a reunião já em andamento, um funcionário pede dispença e as pressas vai ao encontro de sua noiva que passava mal. Outra irônia! Esta pelo menos com final feliz, pois o mesmo estaria a salvo.
Uma chuva rápida refrescaria o tempo, mas traria junto sofrimento e muitas mortes. O prédio vizinho ao aéroporto seria o alvo desta grande tragédia, que por sinal era um dos escritórios da mesma empresa aérea.
Alguns especialistas buscaram explicações para o acidente, porém nada sólido para tal acontecimento.
No momento em que a aéronave se choca com o prédio, Fabio e mais sete pessoas estava na última sala do andar superior e com a explosão ensurdecedora tudo se apaga.
A aéronave em chamas chega a temperatura de 1000 graus e os bombeiros meio que de mãos atadas se preocupam principalmente em resfriar o local, pois ao lado existia um posto de gasolina com o risco de ir tudo para os áres.
Sem dúvidas uma tragédia anunciada tendo em vista os inúmeros alertas da sobre- carga que o aéroporto vinha sofrendo. Madrugada a dentro, os bombeiros trabalham incasavelmente e mesmo sendo uma média de cinquenta caminhões de resgate e uns duzentos policiais envolvidos, só conseguem controlar o incêndio ao amanhecer do dia.
Tudo que conhecemos em matéria de veículo de comunicação estavam presentes e a todo momento buscavam por um furo de reportagem.
Após o término do acontecido, dá-se início a operação rescaldo e a busca por sobreviventes era feita com uma certa descrença, pois os bombeiros expêrientes em busca e salvamento, tinham conciência do grau do acidente e seria quase um milagre encontrar pessoas com vida.
Um espaço ao lado do acidente foi usado para a contagem dos mortos e a todo instante chegava uma vítima fatal.
Da aéronave não encontraram nenhum sobrevivente, porem do prédio, algumas vítimas foram encontradas com vida. O caso mais surpreendente de pessoas encontradas respirando foi a de Fabio.
Um bombeiro que vistoriava o prédio, volta dos escombros e sem novidades segura a lanterna em uma das mãos. Na saída de um comôdo encontra com um outro soldado que otimista volta a sala para mais um checkup. É quando vem a surpresa! Fábio estava desacordado em um canto da sala e o que salvou o jovem foi o arremeço sofrido pela explosão , indo parar embaixo da escada. Seria um milagre! Ou outra irônia ?
Mas o fato é que foi protegido pela própria escada. Vibrando com a descoberta o militar pede reforço aos colegas e com todo cuidado, pois haveria risco de desmoronamento, retiram Fábio.
Os primeiros socorros era feito ali mesmo no próprio local e os hospitais de destino era o do Jabaquara e o hospital São Paulo.
Em casa doutor Saulo fica sabendo da tragédia e ângustiado corre para o hospital São Paulo a procura de Fábio e também para dar auxílio as vítimas que chegavam a todo instante, pois apesar da emoção ter tomado conta, a ética profissional falava mais alto. Já no hospital ambulâncias de resgate não paravam de chegar e doutor Saulo apreensivo orientava os médicos residentes que voluntariamente faziam sua parte.
Buscando informações em todo o hospital não encontra Fábio e resolve ir até o hospital Jabaquara. No estacionamento pronto para deixar o hospital, observa mais duas ambulâncias que acabava de chegar, os paramédicos pedem ajuda ao doutor Saulo e a mais um médico que conversava com o mesmo.
Ao se aproximar da ambulância, vem a surpresa, o pai doutor encontra Fábio na maca e desacordado. A emoção toma conta, porém não a tempo a perder, pois o garoto precisaria ser entubado. Tendo em vista que havia engolido muita fumaça.
Feito todo o procedimento para que entubacem, percebem que o rapaz estava com o maxilar travado, comum a quem sofre esse tipo de trauma.
O problema é que nenhum médico ou auxiliar tinha em mãos o aparelho que destravace o maxilar para que o entubacem. Cada minuto é importante para que salvem sua vida.
É quando o médico voluntário lembra ter em um dos bolsos da jaqueta o tal aparelho. Seria mais uma irônia ! pois dias antes a namorada do mesmo avisa que deixaria o aparelho em sua jaqueta.
Feito o procedimento o rapaz é finalmente entubado, seus batimentos cárdiacos se normaliza e o pai doutor comemora.
Depois de alguns exames, médicos constatam que Fábio nada sofreu, apenas as mãos queimadas e algumas escoriações. Claro que o trauma ficará para sempre, mas o jovem rapaz ciente da chance que teve, tenta levar a vida normalmente.
No dia a dia o jovem rapaz pouco comenta sobre o ocorrido.
Em compensação as provocações de que o timão será campeão continua, afinal em 2010 será comemorado o centenário do mesmo e as expectativas de um novo titulo são as melhores.
Em um outro caso as irônias do destino continuam. Gil um passageiro pouco frequente em nosso ponto de táxi, é um cabelereiro famoso e muito bom no que faz, seu atelie localizado no bairro do Jardins, oferece uma estrutura de primeiro mundo, com muito trabalho e humildade, desenvolve um serviço diferenciado, daí então se explica o motivo do seu sucesso.
Em uma de suas viagens a bórdo de meu táxi, conversavamos sobre vários assuntos, até que entramos em um papo que confesso não ser minha praia, falavamos sobre politica e religião.
Difícil opinar sobre o assunto, poís como diz o ditado, politica e religião não se descute, mas a história chamou a atenção quando Gil disse para mim que seu primo tinha um amigo que dizia ser ateu.
O primo do cabelereiro é um médico dentista, que desenvolve um trabalho bacana, trata-se de um caminhão consultório, onde viaja o Brasil inteiro fazendo pequenas paradas para servir e auxiliar os caminhoneiros em sua higiene bucal.
Contou que o amigo do tal primo havia perdido o cunhado no acidente áereo da Tam. Por ser considerado frio e sem emoções, a familia o escalou para que fosse ao IML, para que fizesse o reconhecimento do corpo do cunhado.
No primeiro dia de visita ao IML, não conseguiu identificar nenhum corpo como sendo o tal. Assustado com o que viu, comentou ao amigo dentista que havia ficado chocado com tantos corpos carbonizados e mutilados, porém o médico meio que irônico tirou um sarro do amigo dizendo:
_Cadê o homem frio e sem emoções!?
Ele respondeu ao dentista que faria apenas mais uma visita para reconhecimento do cunhado. E afirmou dizendo que estava disposto a apontar qualquer um como vítima, pois a noite anterior não havia pregado os olhos de tão imprecionado que ficou.
O médico amigo, aconselhou para que não fizesse aquilo, pois poderia arrumar um problemão. Ainda aconselhou o amigo ateu a aceitar Jesus em seu coração.
Depois de ter passado uma noite tumultuada de sonhos e pesadelos, lá estava o rapaz de volta ao IML, para tentar concluir o reconhecimento. Em uma saleta de espera, aguardava sua vez para que fosse chamado.
Sentado em uma poltrona e com as mãos sobre os olhos, pensava na noite horrível que teve e meio que em um sonho, visualizou seu cunhado em um jardim, sorridente e iluminado por um flash de luz intenso.
O cunhado meio que materializado disse ao ateu, que sabia o motivo de sua visita e que o mesmo não sairia sem uma resposta. Meio que confuso, voltou a si quando ouviu o médico legista o chamar pelo nome, seria a sua vez.
Na sala de autópsia conhecido como frigorifico, o médico o tranquiliza e pede cautela no reconhecimento. Afim de ajudar o rapaz o doutor pergunta se o ente tinha alguma tatuagem ou marca de nascença, o mesmo responde que não e correndo os olhos sobre os corpos, fixa o olhar em um e diz ser o do próprio.
O médico pergunta se ele estaria seguro da afirmação e o rapaz sem esitar responde que sim. Na verdade estava blefando, pois não tinha certeza de nada, muito menos se era realmente o corpo de seu cunhado. Queria mesmo era por um ponto final em tudo aquilo.
Colocando as luvas, o médico legista examina o corpo minuciosamente e pede para que o rapaz se aproxime. Ao virar o cadáver, o doutor percebe em um dos dedos do defunto uma aliança.
Com dificuldade para retirar o anel do dedo, o médico pergunta ao rapaz se ele reconheceria o mesmo como sendo do próprio. O rapaz descrente responde que não! Porém se rende a acreditar em nosso criador, afinal ao tirar o anel o médico consegue identificar o defunto, pois incrivelmente no verso do mesmo estava escrito o nome de sua irmã, com a data de sua união.
Em um gesto de desespero e alivio o rapaz cai de joelhos ao chão e emocionado desabafa dizendo DEUS é pai!
Segundo a história, DEUS criou o mundo em seis dias no sétimo descansou. Daí então se explica o motivo de nossa crença! Pois um homem descrente é uma alma vazia.....

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