sexta-feira, 14 de maio de 2010

Rota Comando


Recentemente o Batalhão de operações especiais (BOPE), ficou conhecido em todo Brasil, após um filme ser exibido nas telas dos principais cinemas.
Dirigido por José Padilha, tropa de Elite seria polêmica antes mesmo da estréia. Pouco se sabe como isto aconteceu, mas o fato é que misteriosamente o filme já era comercializado no mercado pirata.
O Bope foi criado como uma segunda opção de policiais, para manter a ordem e a integridade física dos cidadões. Escolhidos a dedos, os homens do Bope passam por uma doutrina de treinamento intenso, só os bravos chegam ao final e apesar da remuneração não ser lá estas coisas, não reclamam! Pois está no sangue e fazem isso por amor.
Quando os traficantes das comunidades dos morros cariocas entram em atrito e não há controle. Então já sabe! Chama o Bope.
No Rio de Janeiro assim como em todo Brasil, existem seus soldados blindados. Em São Paulo, por se tratar da quarta maior metrópole do mundo, existe mais de uma força, a mais respeitada porem é a Rota ( Rondas ostenciva Tobías de Aguiar ).
Sargento Maia era bem conhecido em toda a corporação da PM e estava no sangue , pois alem do pai que era reformado, tinha também o irmão. Soldado Mendes, era recente na corporação, mas já dava sinais que seria um ótimo homem blindado.
O dia a dia de Maia era imprevisível ora tranquilo ora agitado, nos dias tranquilos , corria e treinava, nos dias agitados bebia e fumava. Muitas vezes saia do bico direto para o Batalhão, trabalhava na segurança de um condomínio de luxo e uma vez por semana fazia a segurança de uma pizzaria do bairro.
Quando acontecia de mudarem sua escala , pedia para que o irmão o cobrisse, trabalhavam em conjunto, pois Mendes tambem fazia seus bicos. Porém nem tudo são flores , aconteceu em uma quarta - feira de setembro, a noite prometia, era começo de mês e o pagamento sairia para muitos.
O movimento da pizzaria sempre aumentava e o dono por sua vez comemorava. A escala de Maia seria mudada e Mendes o cobriria? Já no trabalho, o mesmo , converssa com o manobrista, que empolgado comenta sobre uma aposta que fez, e ganhou! Uma caixa de bhoemia , devido o timão ter vencido.
Por volta das duas da manhã, o sargento Maia, em sua ronda, passa pela pizzaria e encosta a viatura para um café . Aparentemente sem novidades, conversa com soldado Mendes, dizendo ser uma madrugada tranquila e sem QRUs.
Precisando voltar a ronda , sargento Maia se despede do irmão com um olhar fixo, seguido de um forte abraço, o soldado Mendes estranha a atitude de Maia, mas retribui. Parecia estar presentindo algo, mas a verdade é que seria a última vez que veria seu irmão com vida.
Já próximo de fechar a pizzaria, o soldado Mendes estranha Maia não encostar a viatura como de costume. De repente! Um meliante entra na casa já fechando e anuncia o assalto, apesar de estar apenas alguns gatos pingados no salão, o terror toma conta, as crianças choram e os adultos se apavoram.
O gerente toma a frente e tenta uma negociação, o meliante tocando terror, diz que a negociação é o caixa. Soldado Mendes esperando a oportunidade certa para agir, assiste a tudo, estudando a melhor forma de rende-lo.
Concluido o roubo, o bandido caminha pelo salão, a distância parece dobrar , o caminho se torna longo. Prestes a dar fuga o dono da pizzaria grita em forma de desabafo: _ Você não vai fazer nada soldado!
É quando o meliante com a maior frieza se volta para o salão e alveja Mendes o atingindo no peito.
O pavor toma conta, o que seria um roubo se transforma em um latrocínio, pois Mendes veio a falecer. O soldado que na sua ficção infantil seria blindado, foi calado pelo destino.
Sargento Maia recebe a notícia do QRU e se desespera, inconformado faz uma verdadeira caça em meio a uma selva de pedras. Horas depois seria menos um, pois Maia já preencheria o relatório com a baixa do mesmo, É a lei! matou policial, assinou o funeral.
No enterro de Mendes, uma salva de tiros da adeus ao soldado que de certa forma, morreu heróicamente.
Passaram - se anos para que Maia apresentasse os primeiros sinais de recuperação. Clínicas, psicólogos o ajudaram, mas a melhora veio com o nascimento de seu filho, pois nascia junto a vontade de voltar a viver.
Parou de fumar e deixou de beber voltou a se exercitar e a correr, emagreceu e voltou a sorrir. O processo foi lento, tendo em vista que foram anos tomando gardenal e diazepam, mas assim como o irmão os remédios também ficaram na memória.
De volta a corporação teve o previlégio de escolher a dedos os soldados que integraria a sua nova equipe. A viatura vinte do sargento Maia estaria de volta nas Rondas ostencivas, afinal Rota Comando não tem esse nome por acaso e sim por merecimento.
Eu e Maia, tinhamos algo em comum, pois gostavamos das mesmas coisas, trabalho, família e esportes. Conversavamos muito, pois quando não estava na polícia, fazia a segurança do condôminio, que ficava localizado na esquina do ponto de taxi onde eu trabalhava.
Entre vários assuntos que tinhamos, me contou de um taxista que andava tocando o tráfico no centro da cidade. Estavam na sua bota e seria questão de dias para tira-lo de circulação.
Infelizmente como em toda profissão, existem os banda podre , o exemplo atual é o médico Roger Abdel Macid que é acusado de estuprar mais de cinquenta mulheres.
Por várias vezes Maia esteve perto de prender o taxista, mas não o fez! Porque não haveria fragante sulficiente, até que um dia, em suas rondas pela madrugada, avista seu suposto homem no largo do Arouche.
O taxi estava estacionado na praça do Arouche e a viatuara com uma certa distância observava o movimento. Que de certa forma, não acontecia! Pois dentro do taxi havia apenas uma moça aloirada sentada no banco do carona.
Dando tempo ao tempo, esperavam o taxista retornar para seu carro, ai então fariam a abordagem, passaram-se alguns minutos e nada. É quando Maia e sua equipe resolve abordar a moça, deixando a viatura de quebrada e chegando no pianinho e na bota.
Feito a abordagem descobrem que a loira era um travesti e o único movimento que acontecia era o de vai e vem, pois o taxista ajoelhado no chão do carro, fazia sexo oral no mesmo.
Sendo um prato cheio para passar o tempo. Afinal era madrugada, Sargento Maia converssa com o taxista dando uma lição de moral e dizendo não ter preconceito em sua opção sexual , ainda o aconselha que quando quiser fazer este tipo de movimento, que procure um Drive In ou um Motel.
Feito a liberação, pois não haveria fragante! Partem para atender um QRU, que vinha do rádio. Naquela noite , Rota Comando terminaria a madrugada sem novidades, porém na semana seguinte , com uma tocaia armada aos arredores de uma boate. O sargento e sua equipe, efetuaria a prisão do taxista traficante.
Mas isso é uma outra história......

segunda-feira, 10 de maio de 2010

DEUS é Pai! (vôo 3054)



Quando era adolescente aprendi que o transporte mais seguro que tinhamos era o elevador, o avião ocuparia o segundo lugar.
De lá para cá, passaram-se alguns anos e a imagem de segurança que o avião oferecia ficou para trás.
Frequentes acidentes aéreos marcaram está imagem que com certeza deixou muitas mortes e sequelas, algumas irreversíveis.
Infelizmente a aviação nacional tem sua participação na história de grandes acidentes aéreos.
O caso mais recente é o acidente da Tam, com aproximadamente 199 pessoas, sendo 180 passageiros e sete tripulantes da aéronave, o restante seria por uma irônia do destino de estar na hora e lugar errado.
Aconteceu no dia 17 de julho 2007, o dia era realmente de brigadeiro. Porem a tarde veio a chuva que logo cessou , era típica de verão.
Falar em chuva de verão nesta época do ano causa estranheza, mas com o aquecimento global e a grande mudança climática, fica facíl entender.
O taxista Flávio e sua passageira sairam ilesos do acidente e agradeceram a Deus por mais uma chance de vida.
A aéronave após se desprender da pista, passa por cima de uma avenida muito movimentada e de acesso ao aeroporto. Flávio passava no exato momento da queda e uma das rodas do aparelho toca no teto de seu taxi, felizmente só danos materiais.
Já um outro colega não teve a mesma sorte, pois estava abastecendo em um posto de combustivel ao lado e foi atingido em cheio, por destroços da aeronave, tendo morte instantânea.
A maior preocupação dos bombeiros era resfriar o local onde o aparelho colidiu que por outra irônia do destino era o prédio da própria companhia .
Este desastre áereo foi marcado por irônias. E eu dentro da minha humilde visão tento passar a vocês a partir de agora.
Fabio é um passageiro asciduo em nosso ponto, não só ele mas toda a família, sua mãe doutora Ana, o pai doutor Saulo e a irmã Sarah. Todos bem conhecidos pelos colegas, haja vista que se ultiliza de nossos serviços a mais de vinte anos. Fabio e Sarah eram crianças e nós tinhamos a missão de levar e buscar em escolas, cursos, consultas médicas etc, faziamos isso com frequência, pois os pais doutores, sempre ocupados pelos compromissos, depositavam essa confiança em nós e nas babás que os acompanhavam.
Hoje adultos seguem o curso natural da vida e com exemplo dos pais buscam sucesso profissional. O rapaz bem sucedido em sua profissão, cuida das finanças da companhia e se destaca pelo brilhantismo de suas idéias.
No dia do acidente, Fabio serviu-se de nossos táxis e durante o percursso comentou com o motorista sobre o dia bonito, o timão e também da reunião que teria. A reunião aconteceria exatamente onde a aéronave se chocou e Fabio por mais uma irônia estaria lá.
No final da tarde com a reunião já em andamento, um funcionário pede dispença e as pressas vai ao encontro de sua noiva que passava mal. Outra irônia! Esta pelo menos com final feliz, pois o mesmo estaria a salvo.
Uma chuva rápida refrescaria o tempo, mas traria junto sofrimento e muitas mortes. O prédio vizinho ao aéroporto seria o alvo desta grande tragédia, que por sinal era um dos escritórios da mesma empresa aérea.
Alguns especialistas buscaram explicações para o acidente, porém nada sólido para tal acontecimento.
No momento em que a aéronave se choca com o prédio, Fabio e mais sete pessoas estava na última sala do andar superior e com a explosão ensurdecedora tudo se apaga.
A aéronave em chamas chega a temperatura de 1000 graus e os bombeiros meio que de mãos atadas se preocupam principalmente em resfriar o local, pois ao lado existia um posto de gasolina com o risco de ir tudo para os áres.
Sem dúvidas uma tragédia anunciada tendo em vista os inúmeros alertas da sobre- carga que o aéroporto vinha sofrendo. Madrugada a dentro, os bombeiros trabalham incasavelmente e mesmo sendo uma média de cinquenta caminhões de resgate e uns duzentos policiais envolvidos, só conseguem controlar o incêndio ao amanhecer do dia.
Tudo que conhecemos em matéria de veículo de comunicação estavam presentes e a todo momento buscavam por um furo de reportagem.
Após o término do acontecido, dá-se início a operação rescaldo e a busca por sobreviventes era feita com uma certa descrença, pois os bombeiros expêrientes em busca e salvamento, tinham conciência do grau do acidente e seria quase um milagre encontrar pessoas com vida.
Um espaço ao lado do acidente foi usado para a contagem dos mortos e a todo instante chegava uma vítima fatal.
Da aéronave não encontraram nenhum sobrevivente, porem do prédio, algumas vítimas foram encontradas com vida. O caso mais surpreendente de pessoas encontradas respirando foi a de Fabio.
Um bombeiro que vistoriava o prédio, volta dos escombros e sem novidades segura a lanterna em uma das mãos. Na saída de um comôdo encontra com um outro soldado que otimista volta a sala para mais um checkup. É quando vem a surpresa! Fábio estava desacordado em um canto da sala e o que salvou o jovem foi o arremeço sofrido pela explosão , indo parar embaixo da escada. Seria um milagre! Ou outra irônia ?
Mas o fato é que foi protegido pela própria escada. Vibrando com a descoberta o militar pede reforço aos colegas e com todo cuidado, pois haveria risco de desmoronamento, retiram Fábio.
Os primeiros socorros era feito ali mesmo no próprio local e os hospitais de destino era o do Jabaquara e o hospital São Paulo.
Em casa doutor Saulo fica sabendo da tragédia e ângustiado corre para o hospital São Paulo a procura de Fábio e também para dar auxílio as vítimas que chegavam a todo instante, pois apesar da emoção ter tomado conta, a ética profissional falava mais alto. Já no hospital ambulâncias de resgate não paravam de chegar e doutor Saulo apreensivo orientava os médicos residentes que voluntariamente faziam sua parte.
Buscando informações em todo o hospital não encontra Fábio e resolve ir até o hospital Jabaquara. No estacionamento pronto para deixar o hospital, observa mais duas ambulâncias que acabava de chegar, os paramédicos pedem ajuda ao doutor Saulo e a mais um médico que conversava com o mesmo.
Ao se aproximar da ambulância, vem a surpresa, o pai doutor encontra Fábio na maca e desacordado. A emoção toma conta, porém não a tempo a perder, pois o garoto precisaria ser entubado. Tendo em vista que havia engolido muita fumaça.
Feito todo o procedimento para que entubacem, percebem que o rapaz estava com o maxilar travado, comum a quem sofre esse tipo de trauma.
O problema é que nenhum médico ou auxiliar tinha em mãos o aparelho que destravace o maxilar para que o entubacem. Cada minuto é importante para que salvem sua vida.
É quando o médico voluntário lembra ter em um dos bolsos da jaqueta o tal aparelho. Seria mais uma irônia ! pois dias antes a namorada do mesmo avisa que deixaria o aparelho em sua jaqueta.
Feito o procedimento o rapaz é finalmente entubado, seus batimentos cárdiacos se normaliza e o pai doutor comemora.
Depois de alguns exames, médicos constatam que Fábio nada sofreu, apenas as mãos queimadas e algumas escoriações. Claro que o trauma ficará para sempre, mas o jovem rapaz ciente da chance que teve, tenta levar a vida normalmente.
No dia a dia o jovem rapaz pouco comenta sobre o ocorrido.
Em compensação as provocações de que o timão será campeão continua, afinal em 2010 será comemorado o centenário do mesmo e as expectativas de um novo titulo são as melhores.
Em um outro caso as irônias do destino continuam. Gil um passageiro pouco frequente em nosso ponto de táxi, é um cabelereiro famoso e muito bom no que faz, seu atelie localizado no bairro do Jardins, oferece uma estrutura de primeiro mundo, com muito trabalho e humildade, desenvolve um serviço diferenciado, daí então se explica o motivo do seu sucesso.
Em uma de suas viagens a bórdo de meu táxi, conversavamos sobre vários assuntos, até que entramos em um papo que confesso não ser minha praia, falavamos sobre politica e religião.
Difícil opinar sobre o assunto, poís como diz o ditado, politica e religião não se descute, mas a história chamou a atenção quando Gil disse para mim que seu primo tinha um amigo que dizia ser ateu.
O primo do cabelereiro é um médico dentista, que desenvolve um trabalho bacana, trata-se de um caminhão consultório, onde viaja o Brasil inteiro fazendo pequenas paradas para servir e auxiliar os caminhoneiros em sua higiene bucal.
Contou que o amigo do tal primo havia perdido o cunhado no acidente áereo da Tam. Por ser considerado frio e sem emoções, a familia o escalou para que fosse ao IML, para que fizesse o reconhecimento do corpo do cunhado.
No primeiro dia de visita ao IML, não conseguiu identificar nenhum corpo como sendo o tal. Assustado com o que viu, comentou ao amigo dentista que havia ficado chocado com tantos corpos carbonizados e mutilados, porém o médico meio que irônico tirou um sarro do amigo dizendo:
_Cadê o homem frio e sem emoções!?
Ele respondeu ao dentista que faria apenas mais uma visita para reconhecimento do cunhado. E afirmou dizendo que estava disposto a apontar qualquer um como vítima, pois a noite anterior não havia pregado os olhos de tão imprecionado que ficou.
O médico amigo, aconselhou para que não fizesse aquilo, pois poderia arrumar um problemão. Ainda aconselhou o amigo ateu a aceitar Jesus em seu coração.
Depois de ter passado uma noite tumultuada de sonhos e pesadelos, lá estava o rapaz de volta ao IML, para tentar concluir o reconhecimento. Em uma saleta de espera, aguardava sua vez para que fosse chamado.
Sentado em uma poltrona e com as mãos sobre os olhos, pensava na noite horrível que teve e meio que em um sonho, visualizou seu cunhado em um jardim, sorridente e iluminado por um flash de luz intenso.
O cunhado meio que materializado disse ao ateu, que sabia o motivo de sua visita e que o mesmo não sairia sem uma resposta. Meio que confuso, voltou a si quando ouviu o médico legista o chamar pelo nome, seria a sua vez.
Na sala de autópsia conhecido como frigorifico, o médico o tranquiliza e pede cautela no reconhecimento. Afim de ajudar o rapaz o doutor pergunta se o ente tinha alguma tatuagem ou marca de nascença, o mesmo responde que não e correndo os olhos sobre os corpos, fixa o olhar em um e diz ser o do próprio.
O médico pergunta se ele estaria seguro da afirmação e o rapaz sem esitar responde que sim. Na verdade estava blefando, pois não tinha certeza de nada, muito menos se era realmente o corpo de seu cunhado. Queria mesmo era por um ponto final em tudo aquilo.
Colocando as luvas, o médico legista examina o corpo minuciosamente e pede para que o rapaz se aproxime. Ao virar o cadáver, o doutor percebe em um dos dedos do defunto uma aliança.
Com dificuldade para retirar o anel do dedo, o médico pergunta ao rapaz se ele reconheceria o mesmo como sendo do próprio. O rapaz descrente responde que não! Porém se rende a acreditar em nosso criador, afinal ao tirar o anel o médico consegue identificar o defunto, pois incrivelmente no verso do mesmo estava escrito o nome de sua irmã, com a data de sua união.
Em um gesto de desespero e alivio o rapaz cai de joelhos ao chão e emocionado desabafa dizendo DEUS é pai!
Segundo a história, DEUS criou o mundo em seis dias no sétimo descansou. Daí então se explica o motivo de nossa crença! Pois um homem descrente é uma alma vazia.....

sábado, 6 de março de 2010

As histórias contadas neste blog são relatos vivenciados
por mim e por colegas de profissão.
Qualquer história que se asemelhe não é mera conhecidência!



E sim fatos reais.



por

Rogério Mendes Rodrigues

sexta-feira, 5 de março de 2010


Sexta -Feira Treze




Durante um longo periodo, o movimento de rotação e translação da terra foi estudado.
Dai então, num contexto geral, conseguimos desvendar vários enigmas.
Foi possível por exemplo, definirmos as quatro estações climáticas, que veio seguido de ano, mês e semana.
Para facilitar o nosso dia a dia, Santos dumont criou o relógio de pulso, até então conhecido apenas como de bolso.
A revolução em nossas vidas foi incrível, porem como tudo tem um preço logo veio a cobrança e passamos a viver em função do tempo.Tempo para acordar, trabalhar, ir a escola e principalmente divertirmos .A semana serve para nos situar e a sexta- feira para comemorar!
Início do mês, primeira sexta- feira treze do ano, muito misticismo foi criado em torno deste dia.Algumas pessoas acredita ser um dia macabro de extremo azar, outras chegam a não sair de casa.
Passar em baixo de escadas, gato preto, espelho quebrado, são coisas que pessoas acredita ser mau sinal.No meu ponto de vista , é tudo bobagem! Mula sem cabeça, saci pererê, loira do banheiro são personagens criados por um folclore antigo.
Confesso ser bem desencanado a este tipo de conto, mas o fato é que minha semana havia sido bem puxada e estava muito ancioso para terminar o dia, pois era sexta-feira dia mundial do happy hour.
A cervejinha já estava marcada com os amigos e depois de uma semana inteira de batente, paro para relaxar, pois tambem sou gente!
Próximo do ponto de encontro estava com tempo de sobra e não queria ser o primeiro a chegar, ficaria sozinho feito um dois de paus.
Parado no semáfaro uma senhora solicita o meu taxi, tudo que eu queria!Faria mais uma corrida e chegaria no auge do hapy houer. Aparentemente simpática, ditou o trajeto que fariamos.
A lua cheia clariava bem a noite, nos convidando a uma caminhada para se exercitar ou mesmo um bate papo descontraido impulcionado por um sorvetinho.
Mais adiante, puxo um assunto para quebrar o gelo, a dona mal responde, então a primeira impressão que tive de simpátia ficou para trás.
Todo percursso ficou marcado por um enorme silêncio, que me incomodava, pois sou uma pessoa desinibida e não consigo ficar muito tempo calado.
Mil pesamentos vinha a minha cabeça, pensei nas dívidas, na revisão que faria no carro, nas férias merecida que nunca acontecia.Tentava matar o tempo como podia, até que o silêncio foi quebrado quando a tal senhora resolveu falar.
Fiquei surpreso com a iniciativa, pois já estavamos próximo de onde ficaria e achei que terminaria a corrida naquela situação! Sem esitar me disse:
_Moço posso lhe fazer uma pergunta!
_Sim claro!
_Moço, quem é a moça que está sentada ao seu lado.
Confesso ter me arrepiado dos pés a cabeça. Que moça seria está? Só ela estaria vendo!
Nervoso mais seguro de mim disse a ela estar blefando, pois não havia moça alguma ao meu lado.
Ela esbravejou dizendo que estava chamando-à de mentirosa.Usando de pisicologia fui acalmando a minha passageira e tentando convencelá que estava sozinho no taxi.
Por alguns segundos voltamos ao silêncio inicial até que a própria, tenta se justificar me pedindo desculpa e dizendo que só perguntou sobre a moça porque era incomum um taxi trabalhar com duas pessoas.
Querendo por fim ao abisurdo que ouvia, disse a ela:
_Se estou acompanhado, porque entrou no carro.
_Aí moço, é que na verdade só percebi agora.
Perguntei como era a moça, então começou a descrevelá.
_É alta, magra, morena, cabelos pretos e compridos, muito bonita!
Por alguns instante, entrei em sua paranóia e puxei na memória alguma ex namorada, colegas e até primas, nada se asemelhava a descrição.Perguntei se era espírita ou participava de alguma roda de candomblé.
Disse que a única roda que participava era de samba e que não era pai de santo, mais adorava uma pinguinha.
Fui ficando aliviado, pois apesar de não demonstrar, estava levemente embreagada.
Ao termíno da corrida, alem do pagamento, me deu uma boa gorjeta e disse para que cuidasse da minha companheira, pois era muito bonita.
Querendo me ver livre, concordei dizendo que cuidaria!
Segui sem parada, para mais nenhuma corrida, pois a galera já estaria me esperando e seria a minha vez de embreagar-me.
Alem do mais, chegaria em grande estilo,acompanhado com a minha colega do alem .







por


Rogério mendesr